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Estratégia

IA para sellers: o que o movimento da Olist revela sobre o futuro da operação multicanal

A Olist colocou a IA no centro da estratégia e cresceu 65% em receita líquida. Para sellers multicanal, os sinais são claros: agentes autônomos, atendimento automatizado e modelos proprietários vão separar quem escala com lucro real de quem patina em dados desconexos.

Felipe Couto16 de julho de 20264 min de leitura
IA para sellers: o que o movimento da Olist revela sobre o futuro da operação multicanal

Agentes de IA que fecham vendas sozinhos, atendimento 100% automatizado e uma plataforma que cresce 65% ao ano — a Olist está virando uma empresa nativa de IA. E isso não é uma curiosidade distante para quem vende em marketplaces. É um sinal do que está por vir para sellers multicanal que ainda operam no braço.

Na prática, a Olist já usa inteligência artificial para qualificar leads, fechar contratos de menor complexidade e gerenciar o primeiro contato com clientes da divisão de logística. Cerca de 20% das vendas são fechadas de ponta a ponta por agentes autônomos. O atendimento primário é quase todo resolvido pela Lis, uma agente orquestradora que roda sobre múltiplos LLMs. Para um seller que vende em marketplaces como Mercado Livre, Shopee e Amazon, o recado é direto: a automação inteligente está deixando de ser diferencial para virar requisito de sobrevivência.

O que muda na prática para sellers

A Olist nasceu como plataforma de gestão (ERP) para pequenos e médios negócios. Hoje, é um ecossistema que inclui integração com marketplaces, serviços financeiros e logística. A virada para IA não é cosmética: ela altera a velocidade e a precisão com que decisões são tomadas. Para um vendedor multicanal, isso significa que tarefas como responder a dúvidas de clientes no WhatsApp, analisar a margem real de um pedido ou decidir quanto investir em ADS podem ser delegadas a agentes que aprendem com os dados da operação.

Na Jodda, enxergamos esse movimento como a consolidação de uma categoria que chamamos de inteligência de lucro. Não basta ter um dashboard com números. É preciso que a plataforma aponte, pedido a pedido, onde está o lucro real — considerando taxas, frete, comissões e tributos de cada marketplace. A Olist está investindo em modelos proprietários para baratear o custo dessas análises e torná-las mais profundas. Isso é um indicativo de que o mercado caminha para soluções que entregam decisões, não apenas dados.

Agentes de IA e o lucro pedido a pedido

O CEO da Olist, Tiago Dalvi, afirmou à Bloomberg Línea que o custo para executar uma ação via IA caiu cerca de cinco vezes nos últimos 18 meses. Isso viabiliza o uso massivo de agentes para tarefas que antes exigiam um humano — como conferir se um repasse do marketplace está correto ou calcular a margem real de um SKU com frete subsidiado.

Para sellers multicanal, a auditoria de repasse é um dos pontos mais sensíveis. Marketplaces diferentes têm regras distintas de comissão, taxas e subsídios. Um agente de IA pode cruzar essas informações com os custos do produto e entregar uma leitura de lucro real por pedido, algo que planilhas manuais raramente conseguem fazer sem erro. A Jodda já opera nessa lógica: centralizamos pedidos, custos e tributos para mostrar a margem real, e vemos a IA como uma aliada para escalar essa inteligência sem perder precisão.

O que os dados da Olist mostram

Segundo a reportagem, a Olist tem pouco menos de 60 mil clientes ativos e mais da metade já usa recursos de IA na jornada. Cerca de 30% recorrem a essas ferramentas de forma recorrente. São números que indicam uma adoção rápida, mas também um abismo se abrindo: sellers que ignorarem a IA ficarão para trás em eficiência operacional.

Outro dado relevante: o tíquete médio da Olist subiu quase 50% ano contra ano. Isso sugere que a automação não está apenas cortando custos — está permitindo que a empresa suba na cadeia de valor e atenda clientes maiores. Para um seller, a lição é clara: usar IA para tarefas repetitivas libera tempo para focar em estratégia, negociação com fornecedores e expansão de canais.

Modelos proprietários e o futuro da inteligência de lucro

A Olist planeja criar modelos de IA proprietários nos próximos anos, mirando redução de custos e defesa de sua inteligência de negócio. Essa é uma tendência que deve se espalhar: plataformas que atendem sellers multicanal vão desenvolver camadas de IA treinadas com dados específicos do varejo brasileiro — tributos, regras de marketplace, sazonalidades. Isso pode tornar obsoletas as análises genéricas de lucro que muitos sellers ainda fazem no Excel.

Na Jodda, acreditamos que a inteligência de lucro é a camada que transforma dados brutos em ação. Não se trata de substituir o seller, mas de dar a ele uma visão clara da margem real, pedido a pedido, para que possa decidir onde investir, qual canal priorizar e como ajustar preços. O movimento da Olist reforça que essa é a direção do mercado.

O que fazer agora

Para sellers multicanal, o momento é de experimentação. Comece testando automações simples: respostas a perguntas frequentes no pós-venda, alertas de pedidos com margem negativa, relatórios de curva ABC por marketplace. A tecnologia está mais barata e acessível do que nunca. O risco não está em adotar IA cedo demais, mas em chegar tarde a um jogo que já está sendo jogado por concorrentes mais ágeis.

A Olist está se tornando uma empresa nativa de IA. O seller multicanal que quiser competir em 2026 e além precisa começar a construir sua própria inteligência de lucro — com ou sem plataforma, mas nunca sem critério.

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